terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

microconto 00003

"Ela lhe deu a rosa no dia em que foi embora, sem aviso e sem motivo. Ficou apenas a flor sobre a cama. Ele então guardou a rosa e a venerou por anos a fio e era como se a flor fosse a amada... Era a flor que alimentava a sua solidão e a sua tristeza, era ela que não deixava que ele esquecesse e retomasse a vida, que fora interrompida no dia em que ela lhe deu a flor.
A flor fora testemunha de quantas lágrimas havia vertido pela ausencia da amada. A flor ressequida pelos anos continuava sendo venerada e sendo testemunha.
Até que um dia num acesso de raiva, quando a solidão e a tristeza se tornaram insustentáveis, ele atirou a rosa no fogo. Arrependeu imediatamente, mas já era tarde, a flor já fora consumida.
Morreu logo depois, pois não havia mais nada a alimentar sua vida, nem a solidão, nem a tristeza e muito menos a amada e a flor."


dad

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2 comentários:

Eu sinto... disse...

Que texto suave, Dad!
A rosa simbolizando a vida ou vice e versa...
Lindo mesmo.

Cris...Tina

Anônimo disse...

Adorei todos eles Dacio!Sabe que sou tua fã!Sou suspeita pra falar de você!Mas você é mesmo incrivel!
Como se entende com as palavras e as faz flutuar ao encontro da alma!
parabéns...Lindo demais!